últimos dias no marrocos


Madrid, 26 de março de 2011

A tradicional burca

Esse post encerra a série sobre o Marrocos. Passamos nossos últimos dias em Fès: antiga capital imperial e cidade mais importante do País; Chefchouen: uma cidadezinha azul e muito simpática nas montanhas do norte; e Casablanca: cidade mais famosa por um filme do que por seus atrativos. Estamos escrevendo de Madrid e como já vamos atrasados em nossos relatos, é bom avisar que hoje mesmo embarcamos para o Egito. Para quem possa eventualmente preocupar-se, todas as fontes que consultamos nos disseram que a situação por lá está praticamente normalizada, sem grandes riscos.

No Marrocos, a língua pode tornar-se uma barreira adicional para quem não fala francês, o que é o nosso caso. Mesmo entre si, os marroquinos podem ter problemas, pois em certas regiões predomina um dialeto do árabe e em outras o berbere. De qualquer forma, é impressionante a capacidade que eles têm de se comunicar em outros idiomas, muitas vezes se virando inclusive em português. No norte do País, o Espanhol é bem comum e muita gente realmente o domina. E foi pra lá que rumamos depois de acordar no Saara. Chegar é que não foi nada fácil…

O espanhol e a japonesa que estavam conosco no deserto também deixaram a excursão pra seguir pra Fès. E juntos compramos uma passagem em um ônibus local pra uma viagem de 400km. Ainda na rodoviária, conhecemos um casal de americanos, Goda e Brandon, enquanto esperávamos que o nosso ônibus fosse consertado. A propósito, aquilo estava caindo aos pedaços, era mais apertado que avião da TAM e cheirava bem mal. Mas, afinal, 400km não poderiam ser assim tão difíceis de suportar. Antes de continuar o relato, vamos logo avisar: a viagem demorou mais de 12hs e foi duro de agüentar! O começo foi só deslumbramento. A cada nova curva dava vontade de descer e passar uma semana apenas admirando as belezas que víamos.

A coisa começou a ficar realmente feia quando fomos chegando às montanhas mais altas. Depois de passar por certo calor, de repente nevava. E a neve apertou até a estrada ser fechada. Isso durou uma hora – o resto da impressionante demora se deve principalmente às incontáveis paradas que fazem no caminho. Quando recomeçamos, a emoção ficou por conta de duas coisas: se não atolaríamos no mar de neve e se aquela lata velha seria capaz de fazer todas as curvas que contornavam os precipícios. Dá pra saber que o assunto é sério quando os marroquinos também estão preocupados… Passamos um frio absurdo, até porque as janelas estavam quebradas e ventava e nevava na gente. Parecia que nunca iria acontecer, mas tarde da noite chegamos a Fès.

Fès

Se hoje Marrakech está mais em voga, não tivemos dúvidas de que Fès é um destino mais interessante. Lá a molestação aos turistas é menos irritante. São menos insistentes e certos golpes como os falsos guias são coibidos pela polícia. Continua valendo a regra para as cidades marroquinas, o melhor programa é andar despretensiosamente pela Medina. Cuidado apenas para não se perder naquele labirinto. Ou, melhor, esqueça isso. Você vai se perder. Tentar se encontrar é desperdício de tempo, pois isso é praticamente impossível.

Entre as milhares de pequenas lojas e os vários palácios e museus, destacam-se as belas fontes espalhadas por toda a cidade, a universidade Kairaouine, provavelmente a mais antiga do mundo, o Mausoléu Abou Bakr Ibn Arabi e as mesquitas, é claro. Fomos também ver os famosos curtumes Tanneries, em que são tingidos tecidos e cujo cheiro não é nada bom.

Ficamos pouco tempo. Já dissemos que as cidades grandes não são exatamente relaxantes no Marrocos. E nosso programa predileto é passar bons momentos em paz. Então, seguimos viagem após duas noites.

Chefchouen

Nove em cada dez hotéis do Marrocos terão alguma foto de Chefchouen na parede. Com suas ruas e casas azuis, a cidade esconde um cartão postal a cada esquina. Nada de grandes construções imponentes, seus charme está mesmo nos pequenos detalhes, no ambiente acolhedor e na gostosa falta do que fazer que leva os dias a passarem bem devagar. Por pura coincidência, no nosso ônibus pra lá (dessa vez, um bom ônibus), estavam de novo os americanos. Combinamos melhor os próximos passos, jantamos juntos e tomamos algumas cervejas. É bem provável que a gente volte a se encontrar na China, onde eles passarão um ano trabalhando.

Chouen, como os marroquinos a chamam, não é lugar pra quem quer badalação. Mas, é ideal pra quem quer sossego pagando pouco. Os preços despencam. Um bom albergue custa 10 vezes menos que nas maiores cidades. Em um dia se faz tudo o que há de imprescindível: correr as ruas vendo o comércio e a beleza azul das casas e matar o tempo na praça Uta el-Hammam, onde se pode visitar o Kasbah – um antigo forte que protegia a Medina. A cidadezinha se espalha pelas montanhas e pra um segundo dia, um trekking pode ser uma ótima ideia. Mais tempo do que isso, será pra relaxar a cuca e fazer mais do mesmo. Há quem passe semanas lá assim.

Chefchaouen é azul!
Kasbah

Casablanca

Passamos nosso último dia no Marrocos a caminho de Casablanca. Por pura preguiça, abrimos mão de viajar com uma boa empresa que já conhecíamos e que sairia às 7 da manhã para nos arriscar em outra que partia duas horas mais tarde. Sabe-se lá por qual razão, ainda fomos ingênuos o bastante para acreditar no vendedor que nos garantiu que seria um ônibus novo. Não era. Nem ia direto. Pelo contrário, parava em praticamente qualquer esquina pra pegar ou deixar passageiros. Só não parava pra que a gente pudesse ir ao banheiro. A única oportunidade de comer era a multidão de vendedores de biscoitos a bananas que invadia o ônibus a cada parada. Foram 8hs em uma viagem que poderia ter durado a metade disso.

Com o pouco tempo que nos sobrou em Casablanca, fomos visitar apenas a Mesquita Hassan II, de longe, a principal atração da cidade. E ela é maravilhosa! Uma construção enorme que combina simplicidade com a riqueza de detalhes da arquitetura árabe. Além disso, está numa localização incrível, à beira-mar e com uma praça muito bem projetada em torno. Programão de domingo, com gente jovem e famílias com seus filhos curtindo o dia aos pés da construção monumental. Para nós, a mais bela obra em todo País. Espetacular, embora sem parecer uma aventura megalomaníaca. Fora isso, Casablanca não tem muito que possa surpreender. Da sua noite relativamente famosa, o pouco que vimos não nos impressionou.

Seria fácil dizer que o Marrocos deixa sentimentos confusos. Mas, não é bem assim. Nossos sentimos são claros. O País tem paisagens absolutamente extraordinárias, Medinas incríveis e uma grande riqueza cultural. Contudo, recebem muito mal os estrangeiros e deixam que um bando de pessoas desonestas comprometa a imagem de todo um povo. O turista é visto como alguém de quem se deve tirar alguma coisa. Portanto, recomendamos o destino para pessoas dispostas a pagar esse preço por suas belezas. Ou, talvez, para quem pense em usar algum tipo de excursão já com tudo organizado. É provável que assim funcione bem. Para viajantes independentes, o País deixa de fato boas recordações, porém é também um alívio embarcar pra ir embora.

Sabemos que no Cairo também há muito disso. Então, os dias em Madrid significaram um descanso necessário. Foi aqui que passamos o aniversário da Letícia e onde vivemos mais alguns dias desse ano inigualável em nossas vidas.

16 comentários em “últimos dias no marrocos

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  1. Fred e Letícia.
    Farei uma viagem muito parecida com a de vocês !! Sairemos do Brasil dia 09 de maio para a volta ao mundo, nossos roteiros são muito parecidos !! Bom que poderei ver antes no blog de vcs como estarão as cidades em “conflito”. Gostaria de saber se vcs tem dicas de albergues que já fecharam por aí ??
    Obrigada, e estou adorando o blog !!!

    1. Oi Sandra e César!
      Que fantástico, boa sorte!! Vcs estão perguntando sobre onde exatamente? Já temos uma boa dica pro Cairo, chama-se Pension Roma. Aliás, recomendamos demais vir pro Egito agora. Tudo calmo e bem mais vazio. Mas, dê uma checada na data que estão planejando por aqui. O verão é mto, mto quente. Principalmente em Luxor ou nas excursões ao deserto.
      Sobre o Marrocos e outros lugares q passamos, vamos tentar colocar o qto antes uma relação dos albergues q nós recomendamos.
      Uma bela jornada pra vcs!

  2. Parabéns Letícia! Feliz Aniversário!

    Estou adorando dar a volta ao mundo com vocês! rsrsrsrs

    Abraços!
    Rogério

  3. Titia querida,
    PARABÉNS! Toda disposição, saúde, amor e momentos memoráveis neste ano pra vc!
    Estamos curtindo, mas confesso que às vezes morro de afliçào… se cuidem!
    Saudades…

    1. Oi, queridas!
      Obrigada pela mensagem!!!
      Não se preocupem, está tudo correndo muito bem e estamos aproveitando muito!
      bj grande pra vc e pra essa pequitita. Estamos morrendo de saudades!

  4. Adorei. Senti o mesmo que vocês quando estive no norte de Marrocos. Mas ainda penso em voltar. A África me chama….rs
    Parabéns Let querida. Atrasados, é verdade, mas com a mesma intensidade e amor com que seria no dia…
    beijos mil pros dois. As fotos estao de babar.

  5. De parabéns pelas fotos e pelo post. Mesmo que dê para acompanhar as cidades pelo google earth, os relatos de vocês acrescentam cores a elas. E por falar em cores, o que a cidade azul achou da camisa azul? Grande abraço e sempre, boa viagem.

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