quando viajamos pelo laos


Luang Prabang, 04 dezembro de 2011

O Laos não aparece no topo da lista de lugares a visitar das pessoas que conhecemos e nem estava no topo da nossa própria lista quando saímos de casa. Sua reputação como destino turístico é ofuscada pelos vizinhos mais famosos e não há uma atração fora de série como Angkor, no Camboja. Mas, ao longo do nosso caminho, recebemos incontáveis relatos de viajantes encantados com o País, por seu povo e pela simples e boa experiência que tiveram. Resolvemos, então, nos juntar aos mochileiros de todos os cantos que a cada ano aumentam sua presença nas vilas laosianas. E, se ainda não vimos um lugar que possamos classificar como extraordinário, uma extraordinária sensação de bem-estar nos invadiu. O Laos tem seu próprio ritmo, descompromissado e relaxante, amigável e fácil. Dá vontade de ficar…

Parece não haver nada que possa te estressar no Laos*. A comida é boa e barata, sem temperos muito exóticos que possam causar o mínimo de apreensão. A oferta de hospedagem em conta, limpa e agradável é enorme. E deslocar-se é surpreendentemente fácil (às vezes demorado, é verdade, mas ainda assim muito fácil). Pode parecer preocupante quando você paga 50 dólares em um pedaço mal recortado de papel escrito a mão, porém acredite que com aquilo você pegará primeiro um barco, depois uma van, em seguida um ônibus e, por fim, um tuc-tuc que te levará ao destino combinado. Tudo dentro do preço e resolvido naquela bancada em que lhe entregaram o papel rabiscado. O conforto dos ônibus é incomparável. Já tivemos até cama de casal pra passar a noite na estrada, com decoração particular e patinhos de borracha incluídos.

(*nem mesmo ameaça de rebaixamento vinda do Brasil, resolvida com uma retumbante goleada sobre o modesto rival local)

Ônibus com cama de casal, patinhos de borracha e luzes de decoração.

 

Nossa primeira parada foi ainda bem perto do Camboja, logo após cruzar a fronteira. 4.000 Islands é um bonito arquipélago no Rio Mekong. O volumoso Rio abre-se em vários braços formando milhares de ilhas, sendo que uma boa parte delas desaparece na cheia e ressurge quando as águas estão baixas. Pouco a pouco, os mochileiros foram descobrindo os caminhos que levavam até algumas de suas pequenas vilas de pescadores, sendo Don Det e Don Khon as mais populares. Don Det é a mais procurada pela moçada e é onde rolam algumas festinhas à noite. Não longe dali, Don Khon é mais sossegada. Aliás, sossego não falta em lugar algum. Em 4.000 Islands os dias passavam lentamente enquanto a gente rodava as ilhas de bicicleta, parando pra ver cachoeiras, nadar no rio e tentar flagrar algum boto. À noite, tínhamos um bangalô bem básico pra dormir, energia elétrica vacilante e muita paz de espírito.

Uma das 4 mil ilhas
Essa cachoeira é uma das principais atrações de 4 thousand islands.
Na praia do rio Mekong.

A próxima parada foi a Vientiane – a capital e maior cidade do Laos tem um simpático aspecto de cidadezinha do interior. Vientiane é amigável demais para o que esperávamos de uma capital de país. Você encontra um lugar pra ficar circulando a pé, conhece as principais atrações de bicicleta e, em um inesperado toque de requinte, saboreia bons restaurantes italianos e franceses no jantar. As atrações não são tantas: alguns templos budistas, a Pha That Luang (uma bela stupa dourada) e o Buddah Park, destacam-se em uma curta lista de pontos a conhecer. Já estávamos de saída, quando conversando com um casal de franceses, decidimos acrescentar uma nova cidade no caminho, Vang Vieng.

Visitando um dos belos templos de Vientiane.
A stupa dourada está em todas as notas de Kip (a moeda do Laos).
Buddha Park
Corre, Fred! Corre!

A mudança de planos nos levou a ficar mais uma noite em Vientiane e pegar um ônibus somente no dia seguinte cedo. E, nessa noite, um raio caiu pela segunda vez no mesmo lugar. Ou melhor, o mesmo raio caiu pela segunda vez em lugares diferentes! A gente já encontrou algumas pessoas por acaso na viagem e sempre achamos que foram acontecimentos incríveis. Mas, esse superou qualquer expectativa. Viajamos com a Tabhitha por 3 semanas na África, ela também girando o mundo, e ficamos muito amigos. Primeiro, nos esbarramos acidentalmente em Beijing – uma enorme coincidência. Sem saber que rumos havíamos tomado e contrariando qualquer probabilidade estatística nos encontramos novamente andando em uma rua escura da isolada capital do Laos. O improvável já havia acontecido na China, dessa vez foi inexplicável!

O encontro com a Tabhitha foi tão inesperado que não conseguimos registrar o momento. Então, resgatamos essa foto lá dos tempos do Clube do Vinho na Africa.

Alegres por rever a amiga – que quem sabe reencontraremos pro reveillon – rumamos pra Vang Vieng. Vang Vieng é uma pequena vila às margens de um rio com uma linda cadeia de montanhas ao redor. Foi ocupada pela turma da mochila e hoje tem mais camas disponíveis pra turistas do que moradores fixos. Em sua maioria, pessoas de 20 e poucos anos e MUITA disposição pra festejar. Confessamos que a distância que nos separa dos 20 e poucos, também nos deixou longe de beber nos baldinhos com suas mistura de todas as bebidas possíveis e nos fez aproveitar dessa algazarra com moderação. Apesar do clima de festa, é bem relaxante, um desses lugares difíceis de ir embora.

A lagoa azul. Uma bela recompensa para os quilômetros pedalando sob o sol forte.
Largadão no nosso restaurante de todo dia.

Entre os dias rodando de bicicleta pra refrescar-se em lagoas de água azul, uma atividade merece atenção especial: o “tubing”. Esporte número um de Vang Vieng, o tubing usa a velha e boa câmara de pneu pra se deixar levar pela correnteza do rio. O que tem de especial? O astral! Em cada curva do rio, um bar. Em cada bar, bebidas ou tira-gostos de graça, tirolesas, balanços, escorredores e gente bêbada dançando em cima da mesa. Mesmo que você não queira participar do show, é impossível não se divertir com esse clima de carnaval fora de época no meio da natureza. E, antes de partir, uma emoção final. Saímos pra dar uma voltinha de balão. Subimos às alturas logo depois de amanhecer pra curtir tudo lá de cima, só nós dois e o piloto, num sossego e serenidade que são a cara do Laos.

O inesquecível passeio de balão.

12 comentários em “quando viajamos pelo laos

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  1. Keep up the posts! Goda and I love reading them as we dream about our trip through the Philippines, Malaysia and Thailand in a few months!

    -Brandon & Goda

    1. Paulino, saímos do Brasil pensando no passeio de balão na Capadócia… No final não fomos à Turquia e a vontade ficou… qdo vimos lá em Vang Vieng não resistimos!
      Valeu muito à pena!
      Abraço!

  2. As fotos estão demais!! Espetaculares Fred! Fiquei sonhando daqui…
    Que viagem bacana!! Ahh… fechou com o passeio de balão!!
    Cá pra nós: vc bem que poderia estar com a camisa linda do Cruzeiro!!
    Hoje em especial pelo placar 6×1… hehe… fecharia com chave de ouro!
    Mas tudo bem, a tensão já foi embora!! =D
    Adorei o post, as fotos, enfim… tudo!!
    Bjos.

  3. Pqp, cada dia q passa, vc está cada vez mais próximo a perfeição em tirar fotos. Aquela do homem no barco, “perfeita”.

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