toda história tem seu fim

Rio de Janeiro, 15 de maio de 2012

Nesse post contaremos como foram os últimos dias da viagem, os momentos derradeiros de um sonho. Parar pra falar sobre isso agora que completamos 3 meses de volta ao Brasil traz um misto de saudades, alegrias e sensação de missão cumprida. Os últimos momentos foram ainda de muitas belezas e encantamentos. Incrível pensar que após passar um ano vivendo o novo diariamente, ainda era possível surpreender e emocionar.

Continuamos o giro de carro pela Nova Zelândia. Depois de deixar pra trás os glaciares de Fox Glacier, seguimos pela estrada que desbravava a costa oeste do País. Como virou rotina, o cenário era de arrepiar. As curvas revelavam praias lindíssimas que admirávamos do alto das falésias. É a terra dos mirantes, com mil razões pra deixar a boca aberta.

         

Chegamos às Pancake Rocks. A princípio, tivemos até alguma dúvida se deveríamos parar por ali. Já se aproximava o final do dia e ouvimos um mochileiro falar com certo desdém desse lugar que seria apenas parecido com algumas “panquecas empilhadas”. Mas, como a gente parava por todo e qualquer bom motivo, resolvemos dar uma conferida. Decisão acertada: as Panquecas são lindas! Uma formação peculiar e dramática, com a água explodindo nervosa entre as rochas e um visual respeitável no entorno. Dormimos no primeiro camping que encontramos, há menos de um quilômetro dali.

Mesmo nos restando pouco tempo de volta ao mundo, resolvemos sair do roteiro mais tradicional da Nova Zelândia e continuar subindo pela costa oeste até Karamea. Ao deixar a rota principal, a cada cidadezinha que entrávamos os turistas estrangeiros tornavam-se mais e mais raros. Uma boa oportunidade pra perceber como viajar em motorhomes é um hábito genuinamente neozelandês. Verdadeiras casas ambulantes (e eventualmente nem tão ambulantes assim, pois alguns trailers estão definitivamente estacionados em acampamentos próximos à praia) e uma cultura arraigada de boa convivência entre os viajantes.

Karamea é o ponto final da estrada. O caminho perde o asfalto, ganha muitas curvas, torna-se estreito a ponto de só caber carro em um sentindo e por fim acaba. A partir daí, já dentro de um parque nacional, só é possível seguir a pé. As trilhas na mata levam às incontáveis cavernas, riachos e os pitorescos e espetaculares arcos de rocha. A água ácida dos rios formaram túneis nas montanhas de calcário de uma escala quase inacreditável. E praticamente não existem outros visitantes por perto.

O destino seguinte foi a cidade de Nelson, já bem ao norte da Ilha Sul. O tempo havia virado e passamos a rodar debaixo de chuva. Nelson é uma cidadezinha simpática, com alguns museus interessantes, uma coleção de carros antigos, praias, mirantes e um centro histórico simpático. Não é extraordinária, mas um bom lugar pra pernoitar antes de seguir para Picton de onde saem as balsas pra Ilha Norte. Por sinal, é bom reservar seu espaço na balsa com pelo menos dois dias de antecedência, principalmente se estiver de carro. As duas empresas que fazem a travessia são a Interislander e a Straits Shipping e a reserva pode ser feita no site delas. O percurso leva entre 3 e 4 horas, é confortável e a paisagem ajuda a passar o tempo.

Aportamos em Wellington, capital do País. Uma cidade moderna, com excelentes museus como o Te Papa e altíssimo padrão de vida. Não ficamos por muito tempo e prosseguimos com a jornada no mesmo dia. A ilha norte é mais povoada e desenvolvida e isso se traduz em pistas mais largas e expressas. Parece uma vantagem, mas não é. As alucinantes paisagens dão lugar ao cenário mais monótono de auto-estrada, com grandes retas e apenas o “progresso” no entorno da rodovia. Mas, a ânsia desbravadora estava aguçada com a aproximação do dia de voltar pra casa e logo demos um jeito de trocar as vias expressas por caminhos menos percorridos. Dormimos em um povoado qualquer, nos perdemos um pouco pelas estradinhas secundárias e, então, encontramos Rotorua. Essa região está repleta de geysers, que são aqueles jatos de vapor que brotam do chão, denunciando a intensa atividade vulcânica sob nossos pés. Pipocavam opções de termas e spas com suas fontes de água fervente, desde que você esteja disposto a encarar o desagradável cheiro de enxofre.

Mas, nem só de termas e geysers vive Rotorua. A região também é famosa por ser o principal núcleo da cultura Maori. Aliás, interessante notar a diferença entre australianos e neozelandeses em relação aos povos primitivos das terras em que vivem. O povo Maori é visto como dono de uma rica cultura ancestral. É respeitado e admirado no País e faz parte da identidade e história dos habitantes de hoje. Status que os aborígenes estão longe de ter na Austrália. E a região tem ainda muitos lagos e ostenta um dos percursos mais belos que se pode fazer de carro nessas ilhas.

Enfim, pegamos a auto-estrada para Auckland. A maior cidade da Nova Zelândia é carinhosamente chamada de mini-Sidney. E, de fato, é menor e menos impressionante que a metrópole australiana. Aliás, não vá à Nova Zelândia esperando ver grandes cidades como existem na Europa e em alguns lugares da Ásia. A população do País mal passa dos 4 milhões de habitantes e isso é o que vive somente na região metropolitana de Belo Horizonte. Mas, pode esperar encontrar um dos mais altos padrões de qualidade de vida do mundo. Repousando sobre mais de 40 vulcões, Auckland tem muitos parques e pontos de interesse como a Sky Tower, as galerias de arte e a maior proporção de veleiros por habitante do mundo.

Porém, a lembrança da cidade hoje nos remete a uma retrospectiva da viagem como um todo. Perambulamos pelas ruas sabendo que um ano havia passado e a gente estava a um passo de retornar pra casa. Relembramos os muitos, incontáveis, inesgotáveis bons momentos. Trocamos ideias com os últimos mochileiros com quem cruzamos e abrimos uma última e comemorativa garrafa de vinho.

De lá, os caminhos que nos levaram à Santiago do Chile seriam apenas uma etapa que nos traria de volta ao Brasil. Desembarcamos no Rio de Janeiro em 15 de fevereiro de 2012. Realizados e felizes.

de carro pela nova zelândia

Rio de Janeiro, 02 de abril de 2012
 
Estamos em abril! Como os dias têm passado mais rápidos no Brasil. Desde que voltamos, entramos em um ritmo frenético para recolocar a vida em alguma forma de “normalidade”. Já estamos morando em uma casa nova e estamos os dois trabalhando. Ao deixar tudo para trás e partir em busca de um sonho, abrimos mão da segurança que a vida que havíamos construído nos trazia. Bem, o sonho está realizado e menos de um mês após voltarmos essa tal “segurança” está restituída. Ficaram memórias, aprendizados e a certeza absoluta de que valeu imensamente à pena!
 
 
O único porém é que nessa batida acelerada do retorno ao Brasil, ainda não concluímos nossa história. E vejam que falta falar da Nova Zelândia, um dos destinos mais incríveis em que passamos e alguns dos melhores dias da viagem. Dias que começaram a ter sabor de despedida. Aquela impressão de criança de que estavam nos chamado pra ir embora no melhor da festa. Mas, a verdade é que a festa foi tão incrível que nunca haveria uma hora boa pra ir embora… Então, vamos ao relato!
 
 
 
 
De Sidney voamos pra Queenstown, na Ilha Sul. A Nova Zelândia tem duas ilhas principais. A Ilha Norte é mais quente e povoada. Tem mais praias, lugares pra mergulho e grandes cidades como a capital Wellington e Auckland, a mais populosa e próspera do País. A Ilha Sul tem poucas e pequenas cidades e é mais “natureza”, com paisagens tão diversas que em menos de uma hora é possível sair de uma montanha nevada e chegar a uma praia cercada por florestas verdes. Se algum dia você tiver que escolher entre as duas pra visitar, vá para a Ilha Sul. Recomendamos isso sem pensar duas vezes, mesmo sabendo que a Ilha Norte também está repleta de excelentes lugares pra ir. E alugue um carro, van ou motor-home. Não há maneira melhor de viajar por essas bandas.
 
 
 
E por que tanta gente viaja de carro pela Nova Zelândia? Vamos às vantagens:
 
– A Nova Zelândia é uma terra de cenários estupendos, de uma diversificação extraordinária e uma beleza de derrubar o queixo. O melhor do País está entre uma grande atração e outra. O que se vê da janela nas estradas é hipnotizante e seria um sacrilégio não poder parar de 5 em  5 minutos pra apreciar as diferentes vistas dos milhares de mirantes existentes no caminho;
 
 
– Outra vantagem irresistível: a liberdade. Não ter horário pra pegar o ônibus, não ter que se juntar a nenhum tipo de excursão, não ter rota pré-definida ou depender de decisões tomadas com antecedência. O mundo é seu (ou pelo menos será “seu” o território que puder desbravar dirigindo ao longo dos dias);
 
 
– A infra-estrutura é ótima. Existem campings e paradas pra pic-nic por toda parte. Cansou do volante? É pouco provável que se leve mais do que 15 a 30 minutos até encontrar um bom lugar pra fazer sua comida, tomar um banho e passar a noite. As estradas em si não são más. Bem conservadas e sinalizadas, embora normalmente em pistas únicas e cheias de curvas. E o neo zelandês é um motorista prudente e cordial;
 
 
– E a derradeira vantagem: a experiência. Dormir no aconchego do carro, preparar o almoço com um visual de cinema ao fundo, visitar pontos pouco conhecidos, conhecer outros viajantes na estrada. Tudo isso não tem preço!
 
 
Quer dizer, preço até tem. E disso vem a única desvantagem: o custo. Ir de carro não é barato e nem trará grandes economias com a hospedagem. O preço por pessoa pra passar a noite em um camping é alto, quase o valor de uma cama em um albergue. Se o carro não tiver banheiro e chuveiro dentro, será inevitável pernoitar onde exista alguma estrutura. Além disso, dormir com o carro estacionado na rua é proibido e gera multas altas em quase todo o País. Uma opção mais em conta é ir para os parques nacionais, que têm tarifa baixa, banheiros simples e nada de banho. Pra economizar no próprio aluguel do carro (disparado nosso maior gasto) existem pelo menos duas alternativas. Pra quem vai ficar três ou mais semanas rodando, é melhor comprar um carro e depois revendê-lo. Alguns vendedores garantem inclusive a recompra ao final. Pra quem vai ficar pouco tempo, aparecem grandes oportunidades de rodar de graça fazendo uma espécie de serviço de “devolução” de um automóvel à sua cidade de origem. Esse tipo de opção invariavelmente aparece para quem está deslocando-se no sentido sul-norte e o prazo de entrega é de poucos dias. Reservamos nosso carro logo na chegada ao aeroporto de Queenstown. Melhor seria termos reservado antes pra contar com mais opções.
 
 
Pra quem associa a Nova Zelândia aos esportes radicais, Queenstown é a sua Meca. É uma cidade pequena e charmosa e também a capital mundial dos esportes de aventura. Em um País em que as pessoas amam se jogar de penhascos, descer montanhas em alta velocidade e desbravar o lado selvagem da natureza, Queenstown destaca-se pela quantidade e qualidade das atividades. Não existe uma forma de atiçar a adrenalina que não esteja sendo aproveitada. Entre um salto de bungee jump e um cavalo de pau em uma lancha, ficam à disposição as belíssimas montanhas e lagos que há mais de um século garantem fama e trazem turistas à região.
 
 
 
 
Nossa primeira jornada na estrada foi de Queenstown a Milford Sound. Esse trecho enfeitado por campos amarelos, espelhos d’água refletindo picos nevados, cachoeiras, canyons etc. está entre os mais populares e memoráveis da Nova Zelândia. A estrada esgueira-se por penhascos, túneis estreitos e mirantes até terminar em um desses cantos do planeta que habitavam o nosso imaginário.
 
 
 
Milford Sound é o nome de um fiorde. Formados durante as eras glaciares, os fiordes são estreitos – porém profundos – braços de mar que avançam por muitos quilômetros terra à dentro. As montanhas em torno são altíssimas e navegar entre elas é de uma beleza fabulosa (existem muitos barcos que fazem esse passeio). Dessa vez, tivemos que dormir no estacionamento mesmo e pagar a multa que sabíamos que seria cobrada na manhã seguinte. Mas, com isso vivemos algo muito especial, dessas coisas que entrariam em qualquer grupo seleto de grandes momentos da viagem. No meio da noite, saímos do carro pra ir ao “banheiro” à beira do mar logo a nossa frente. A maré estava baixa, as montanhas de cada lado levemente cobertas por finas faixas de nuvem e ao centro uma estonteante lua cheia que refletia na água. Não teve fotos, ficou impresso apenas na memória.
 
 
 
 
Recuperado o fôlego depois desse lugar alucinante, hora de cair de volta na estrada. E o próximo destino era a própria estrada. Fizemos o caminho de volta à Queenstown e continuamos por lagos azuis rodeados por montanhas áridas, rios de água gelada e cristalina, florestas surreais que aparentavam ter saído de um livro de ficção científica e por rodovias que serpenteavam pelo litoral sobre falésias e belas praias sub-tropicais. Dormíamos nos campings que encontrávamos pela frente, cada vez mais apegados ao nosso carro e nossos caminhos.
 
 
 
 
 
Passamos também pelos famosos glaciares. O Fox Glacier – que nós visitamos – e o Franz Joseph Glacier bem próximo dali dão uma boa ideia do que era a Nova Zelândia durante a era do gelo. Responsáveis diretos por esculpir o cenário que hoje nos encanta e que virou protagonista da trilogia O Senhor dos Anéis (aliás, motivo de orgulho nacional), esses glaciares são enormes massas de gelo compactado que se deslocam muito lentamente descendo um vale. Tem muitos quilômetros de comprimento e podem passar de um quilômetro de profundidade! É super tranquilo visitá-los por conta própria, dispensando o pagamento de quase 100 dólares por uma caminhada guiada. Se for pra investir, a sugestão é pegar um helicóptero e descer no meio da geleira, longe da área acessível a quem está a pé.
 
 
 
 
No caminho pro Fox Glacier, levamos um alemão que estava rodando toda a Nova Zelândia acampando na estrada e viajando de carona. Prova que pra quem tem tempo e disposição, dinheiro é um problema contornável. Como não dispúnhamos dos cinco meses que ele tinha e não tínhamos mais tempo a perder, seguimos viagem rumo ao norte. História que iremos contar no último post que publicaremos pra detalhar os destinos dessa volta ao mundo. Afinal, os caminhos que nos levaram à Auckland, também foram os caminhos que nos trouxeram de volta ao Brasil.
 

de volta ao brasil, mas com notícias de sidney

BRASIL, 06 de março de 2012                            

Estamos de volta! Após um ano mochilando pelo mundo, desembarcamos no Brasil no dia 15 de fevereiro. Mas, entre o que contamos no último post e o vôo que nos levou para o Rio de Janeiro, muita coisa aconteceu. Curtimos uns dias em Sidney, uma das mais lindas, prósperas e agradáveis cidades em que passamos. Também rodamos a Nova Zelândia de sul a norte dormindo no carro à noite e vibrando com as paisagens durante o dia. Dois destinos sensacionais que fecharam a viagem com chave de ouro e que começamos a descrever agora.

Pra dar sorte! :)

Há quase três semanas em terras brasileiras, temos ouvido diferentes perguntas sobre a experiência que tivemos e os lugares que conhecemos. Quando a questão é: “onde você voltaria para morar?”, Sidney aparece como uma das mais fortes candidatas. Imagine o cenário: é desenvolvida e com serviços públicos eficientes como Londres e Singapura, culturalmente rica como Barcelona e Beijin, tem um belo visual urbano como a Cidade do Cabo e Hong Kong, as pessoas são simpáticas como no Brasil, há empregos disponíveis como em nenhum outro lugar do mundo e, não bastasse tudo isso, para aproveitar o final de semana tem dezenas de quilômetros de praias de areia dourada e mar azul com ondas perfeitas!

O preço por tanta tentação é salgado. A Austrália – onde a crise econômica faz parte apenas do noticiário internacional – viu sua moeda ser supervalorizada e o custo de vida que já era bem alto, disparou. Tudo é caro, inclusive uma cama em um albergue. Pra reduzir o impacto em nosso orçamento, ficamos um pouco afastados do centro em um lugar simpático e repleto de estrangeiros que estão no País a trabalho. Aliás, essa é uma opção pra quem quer começar uma viagem mais longa, mas a grana já começará curta. A vida é cara, mas paga-se muito bem e é relativamente simples encontrar trabalho em Sidney. Subemprego, claro. E quem procura por isso não são necessariamente imigrantes de países pobres. As pessoas que conhecemos por lá atrás de bicos como garçom, carregador de caixas, pedreiro etc. vinham da Suécia, Alemanha, Estados Unidos e por aí vai… Por quê? Salários de até 3.000 dólares que permitem quitar as contas e guardar uma parte pra fazer a festa no Sudeste Asiático depois.

Construções antigas no centro da cidade.

Além da oportunidade de juntar uma grana, Sidney seduz pela qualidade de vida. Basta dar uma volta e sentir o clima. Há gente se divertindo por todos os lados, fazendo exercícios nos parques, correndo nas ruas etc. Um astral saudável emoldurado por um cenário tentador, com prédios modernos e históricos espalhados em torno de uma linda baía. Tudo limpo e agradável, pedindo pra você esticar a estada por alguns meses.

No fim do dia os parques ficam cheios de pessoas pedalando ou correndo.
No jardim botânico.

E todos os caminhos levam à Opera House – o inconfundível ícone da cidade. Uma obra extraordinária, inaugurada no começa da década de 1970 que continua muito a frente do nosso tempo. É extasiante vê-la de qualquer ângulo e nós experimentamos vários. A observamos a partir do The Rocks, do Royal Botanic Garden, da famosa Harbour Bridge e a partir do outro lado da baía. Do ferry que nos levava para Manly Beach, de bem de perto aos pés de sua escadaria e, por fim, pelo lado de dentro: fomos assistir a ópera “A Flauta Mágica” na Opera House, bastante elegante e apropriado, não?

Mas esses lugares todos que citamos não servem apenas de observatório para a Opera House. No The Rocks e na Circular Quay, vê-se o centro que congrega espigões modernos, construções coloniais e charmosas torres de relógio. O Royal Botanic Garden é inesquecível, com jardins belíssimos, plantas bizarras e pássaros exóticos. É imprescindível visitá-lo, mesmo que você tenha um único dia em Sidney! A gente tinha mais. Então, andamos entre as árvores, observamos as aves, dormimos na grama e fomos até o a sua última ponta para… bem, para apreciar a Opera House. Nesse caso, em sua mais perfeita composição: com a Harbour Bridge completando o cenário.

Aliás, atravessar a Harbour Bridge é outro programa obrigatório. É uma estrutura enorme, belíssima, que permite vistas incríveis da baía e leva até o Milson Point, de onde é possível ver o centro de Sidney frente a frente. Tão agradável que a gente não queria ir embora. Compramos uma garrafa de vinho, alguns queijos e deixamos a tarde cair, primeiro tingindo o céu de rosa e depois dando lugar às luzes da noite. Memorável!

O espetacular anoitecer do Milson Point.

A Darling Harbour está em um outro recanto da baía. Tem shoppings, museus, um aquário e o Wildlife. Aproveitamos a dica que outra mochileira deixou aqui no blog e trocamos uma visita ao famoso – porém caro – Taronga Zoo por várias horas no Wildlife. Aliás, como chovia impiedosamente, a escolha mostrou-se ainda mais acertada. Não é o mesmo que estar na natureza, mas pudemos vislumbrar cangurus, coalas e o colossal crocodilo australiano que ultrapassa os cinco metros de cumprimento. Por falar em bichos grande, nada nos chocou mais do que os gigantescos morcegos que vimos nas árvores do Jardim Botânico. Era de dar medo até no Conde Drácula!

A grande estrela da Austrália.

O adorável Coala.
O grandalhão Rex e seus 5 metros de comprimento.
Os assustadores morcegos.

A chuva persistiu e atrapalhou nosso dia de praia. Ainda assim, valeu à pena ir até a Manly Beach de ferry e aproveitar o visual. Havendo tempo bom, a dica é caminhar de Bondi até Coogee Beach, mas esse programa ficou pra outra visita. O que nós pudemos aproveitar muito bem foi o Fish Market e aqui vão duas sugestões excelentes: pra comer peixe cru, apareça lá cedo, quando tudo está mais fresco e delicie-se com uma infinidades de opções disponíveis nos diferentes balcões. Agora, se o seu negócio for frutos do mar grelhados, apareça por lá pouco depois das 15hs. Com a feira quase fechando, a comida fica praticamente de graça. Almoçamos lagostas, ostras, camarões, caranguejos, polvo etc. por 5 dólares cada. Na Austrália, esse costumava ser o preço apenas do refrigerante em um restaurante.

Fish Market, com as melhores refeições que fizemos na cidade.
Mesmo com chuva fizemos uma visita à praia.

Havendo tempo de sobra, Sidney mostrará que tem opções de sobra. Mais parques, muitos museus, bibliotecas, igrejas, prédios antigos e diversas agradáveis surpresas. A festa continuou quando fomos pra Queenstown, na Nova Zelândia – o último país em que mochilamos e de onde veem as últimas histórias que teremos pra contar dessa volta ao mundo.

Um gostinho das belezas de Queenstown, na Nova Zelândia. Último país da nossa volta ao mundo.

gili trawangan e a vida embaixo d’água na indonésia

Sydney, 01 de fevereiro de 2012

Com duas semanas disponíveis na Indonésia, o que você faria? Cada qual com uma resposta, cada cabeça uma sentença. Pra nós a solução era óbvia: mergulhar, mergulhar e mergulhar o máximo possível! A Indonésia está em um dos vértices do chamado “Triângulo de Corais”, que apresenta uma extraordinária biodiversidade marinha e concentra 20% dos recifes de corais do planeta.

Tiramos essa foto da intenet para dar uma amostra de toda beleza do fundo do mar da Indonésia.

As opções de mergulho são tão diversas quanto as ilhas do arquipélago. Entre as mais renomadas estão Komodo, Raja Ampat, Ilhas Banda, Sulawesi e a nossa opção: as Gilis. Além dos belos cenários submarinos, as Gilis aparentemente ofereciam a logística mais simples (e em conta) a partir de Bali. Apesar de que – como viemos a descobrir – essa aparente facilidade pode desaparecer de uma hora pra outra. Ao menos, a ida foi tranquila. Duas horas de carro até o porto de Padang Bai em Bali, algumas horas de espera e 1h30 de lancha rápida até colocarmos os pés na praia de Gili Trawangan.

Gili Trawangan é a maior de três minúsculas ilhas na costa de Lombok. Tão pequena que pra dar uma volta completa andando não leva mais que 90 minutos. Quer dizer, ou pode até levar, dependendo de quantas vezes você parar no caminho. A nossa volta levou 6 horas, a maioria delas passada deitados placidamente na areia ou boiando relaxadamente no mar.

Quase tudo perfeito. Mas, vamos ser honestos sobre o clima: tivemos muitos momentos de céu fechado. Quando fazia calor, era calor de verdade. Contudo, choveu bastante e sol brilhando por um dia inteiro foi exceção e não a regra. Nada que pudesse atrapalhar o astral relaxado da ilha que não recebe carros ou motos e o único trânsito é o de charretes e bicicletas. Lugar em que é possível ter um contato mais autêntico com a população local, interagir com o riso fácil (nem sempre desinteressado) dos indonésios e observar o choque de culturas entre os conservadores hábitos islâmicos e a ousadia despretensiosa dos turistas estrangeiros.

A placa é clara. Nem pensar em ficar peladão!!

Deixamo-nos cair em uma saborosa rotina. Acordar cedo, mergulhar pela manhã e almoçar em um pequeno restaurante local. Ficar pela praia durante a tarde até que a tentação de um tira-gosto e uma cervejinha nos levasse a sentar em uma almofada em torno de baixas mesinhas de um bar de frente pro mar. Pra nós, o dia normalmente acabava cedo. Mas, pra muita gente a noite era uma criança e a balada era animada por chás de cogumelo e outros aditivos vendidos sem nenhum pudor em um país em que o tráfico de drogas dá pena de morte. Detalhe importante: não há polícia em Gili Trawangan.

Comidinha no restaurante local por apenas 3 reais o prato. Delicioso, apesar da pimenta puxada!

Apesar de pacatos, esses dias trouxeram momentos memoráveis. A maioria deles embaixo d’água. É uma pena não termos equipamento que permitisse fotografar durante os mergulhos. Vimos uma riqueza extraordinária de corais, vida marinha super abundante com uma coleção de crustáceos, peixes, tartarugas, arraias e até tubarões. Não é barato pra mergulhar como a Tailândia ou o Sinai, mas sem dúvida alguma uma oportunidade excepcional a ser aproveitada!

Mergulhos espetaculares! Em nosso último mergulho vimos 6 tartarugas. (Foto retirada da internet)

Por sinal, viajar pela Indonésia não foi tão barato quanto imaginávamos que seria. Em um restaurante local, a comida é excelente é pode custar menos de R$2. O transporte público também é quase de graça. Mas, as regiões mais populares tomadas por turistas são super inflacionadas. O preço de um suco natural pode custar 7 vezes mais entre dois lugares diferentes, a internet pode variar até 10 vezes e hotéis idênticos podem custar um o dobro do outro ou até mais. Foi preciso pesquisar e fugir de onde as massas estavam pra seguir com o orçamento previsto.

Em nossas andanças encontramos o verdadeiro pé de chinelo!!

Quando o consulado australiano enfim liberou nosso visto, resolvemos que era hora de partir. Porém, ventos fortes interromperam o funcionamento de todos os barcos de volta pra Bali, inclusive dos enormes e lentos ferrys. Com previsão mínima de três dias sem o serviço, a ilha paradisíaca ganhou ares de prisão de luxo. Decididos a não perder muito tempo, nos organizamos pra fazer a curta travessia até a ilha de Lombok, o longo trajeto de carro até o aeroporto e voar de volta pra ilha balinesa (os vôos na Indonésia são quase tão baratos quantos os barcos, mas toda essa logística fez com que a viagem de avião demorasse mais do que atravessar de lancha). Afinal, chegamos ao consulado pra ter outra surpresa: feriado na Austrália! Com tudo isso, acabamos por ter que remarcar os vôos dos próximos dias, a saber: Bali – Jacarta – Sidney. E também remarcamos a ida pra Queenstown, na Nova Zelândia, porque Sidney não era lugar pra ficar por tão pouco tempo…

Parte de nossa odisséia rumo à Bali.
Ahhhh.... Sidney...

bali, o paraíso do surf

 

Jacarta, 28 de janeiro de 2012

Estivemos de férias nos últimos dias. Ok… é provável que a maioria das pessoas que lêem o blog esteja pensando: “Mas, vocês não estão de férias há quase um ano?!”. É verdade. Mas, nos últimos dias tiramos férias de turistar por aí, de trocar de cidade a cada poucos dias e também tiramos férias de blogueiros. Por isso, demoramos um pouco mais do que o costume pra postar notícias. A gente estava de pernas pro ar nas praias da Indonésia, passando semanas inteiras em um mesmo lugar e curtindo a vida em câmera lenta. Desculpem-nos a demora. Mas, enfim, voltamos com as novidades!

A Indonésia é pra ser curtida lentamente...

O preço a pagar por ficarmos tão relaxados é que muito deste vasto arquipélago ficou sem ser visto. Concentramos nossas atenções em Bali e na pequena Gili Trawangan. De qualquer forma, um estrangeiro desatento poderia até pensar que tendo um pouco mais de tempo seria possível conhecer cada canto do País. Melhor reconsiderar. Com mais de 17.000 ilhas em seu território, seriam necessários quase 50 anos pra passar um único dia em cada uma delas! E, convenhamos, um dia seria insuficiente em 99% dos casos.

A Indonésia tem ainda outros superlativos. A população de 240 milhões de pessoas é a quarta maior do mundo, à frente inclusive do Brasil. São faladas mais de 300 diferentes línguas e dialetos, são praticadas centenas de diferentes religiões (embora a maior parte seja islâmica) e culturas completas distintas distribuídas em um pedaço do planeta que se estende do Sudeste Asiático à Austrália. É um dos principais destinos do mundo para o surf, mergulho, trekking em vulcões, imersões culturais e para simplesmente curtir uma praia perfeita. Cada viajante com quem conversamos tinha seu lugar predileto no País, seu paraíso escondido e sua ilha imperdível. Alguém obstinado a ticar todos os principais pontos poderá se sentir acossado com tantas opções. O melhor é relaxar e aproveitar intensamente o pouquinho da Indonésia que for possível ver com o tempo que tiver disponível. Foi o que fizemos.

Essas oferendas estão em todos os lugares e são trocadas diariamente.
Com amigos locais.

Começamos por Bali. Você provavelmente já ouviu falar do cigarro e talvez até da calça, mas a ilha deve seu renome mundial principalmente à rica cultura hinduísta, à vida noturna e ao surf. É o principal destino turístico da Indonésia e um ímã para uma multidão de jovens australianos. Há templos hindus por todos os lados, a arquitetura é inconfundível, assim como as danças folclóricas e a tradicional arte balinesa. É uma ilha grande, o que somado ao fato do trânsito ser terrível pode consumir horas pra deslocar de um lado ao outro. E não é uma terra de consensos. Vimos pessoas absolutamente apaixonadas pelo lugar, mas existe também uma boa parcela daquelas que acabam por detestá-la.

A praia de Kuta é cercada por muros e os portais tem a arquitetura típica local.
O surf é a principal atração de Kuta. As pranchas para alugar ficam espalhadas pelas areias.

Normalmente, o motivo que leva as pessoas a não gostarem de Bali se chama Kuta. A mais turística das praias é feia, suja, o fluxo de carros e motos é infernal e a molestação de vendedores beira o insuportável. Porque então as pessoas vão pra lá? Primeiro, porque as ondas são perfeitas pra quem está aprendendo a surfar e dezenas de escolas espalham-se pela praia. Segundo, é onde as baladas fervem, o que atrai a garotada afoita por diversão. E, por fim, tem o efeito manada: as pessoas vão pra lá porque é onde todo mundo já está. Tem mais hotéis, restaurantes e lojas. Nós também caímos nessa e foi nosso primeiro destino. Honestamente, não vale mesmo muito à pena e com atrações pouco interessantes do lado de fora o luxuoso piscinão do nosso hotel virou a melhor opção durante o dia.

A praia de Kuta além de sem graça ainda tem muito lixo na areia.
No mar em Kuta diversos aprendizes de surfistas dividem a mesma onda.
A piscina do nosso hotel. A melhor opção nos dias em Kuta.

Pra converter ódio em amor, basta afastar-se de Kuta e ver o que mais Bali tem a oferecer: praias lindíssimas, campos com terraços de arroz, opções de rafting, um vulcão e muita riqueza cultural. A Bukit Peninsula é um bom exemplo disso e foi onde a ilha recuperou o seu prestígio conosco. O surf por esses lados é para profissionais. A nós coube acompanhar tudo de um dos restaurantes encravados na encosta dos penhascos em Ulu Watu. Pra entrar no mar, melhor ir pra praias como Padang Padang, onde é possível estender-se na areia e refrescar-se no mar.

O visual da Padang Padang é incrível e a vale a visita à Bali.
Pra surfar em Ulu Watu tem que ser profissional!

Pra fechar o dia, um show de dança balinesa no templo Pura Luhur durante o pôr do sol. Pronto! A essa altura você já terá perdoado os excessos turísticos e estará encantado novamente com a Indonésia.

Templo Hinduísta
Os macacos são uma atração a parte no templo de Ulu Watu.

Foi em Bali que solicitamos nosso visto pra Austrália. De longe, o mais complicado e demorado de toda a viagem. Enquanto esperávamos, rumamos pra ilha vizinha de Lombok. Mais precisamente, para as Gilis: um conjunto de ilhotas minúsculas próxima à Lombok. Praias desertas, paz de espírito e muitos mergulhos são as novidades que virão em breve no próximo post.

Essa foto não é nossa, mas vimos dois desses aí mergulhando.

singapura: o tigre e o leão

Bali, 18 de janeiro de 2012

Singapura é extraordinária. Uma metrópole cosmopolita, próspera e moderna. Está repleta de parques, arranha-céus imponentes, charmosas construções coloniais e shoppings, muitos shoppings. Além disso, é cheia de regras. O trocadilho mais recorrente entre os visitantes é chamá-la de “fine city” – que em inglês pode significar uma “boa cidade” e ao mesmo tempo a “cidade das multas”. É bem verdade que a punição pra quem for pego mascando um simples chiclete é de 500 dólares, mas o clima em Singapura é relaxado e é acima de tudo um excelente lugar pra visitar e até mesmo morar.

Um dos avisos espalhados por toda cidade.

Aliás, não são poucos os visitantes que se encantam com o lugar e querem fazer de lá o seu lar. Nós mesmos ficamos nos imaginando vivendo ali e não seria de forma alguma uma má ideia. Não surpreende que ao final do dia uma multidão de gringos expatriados deságue dos grandes prédios do centro em direção aos bares à margem do rio pra curtir o happy-hour. Quem não é de cerveja, provavelmente irá praticar o esporte nacional: comprar. Aparentemente, todo o sub-solo da cidade é um grande shopping center. Em cada esquina, há uma entrada que te levará pra dentro de uma galeria e desta você acabará dentro de outra e outra e outra… É possível percorrer bairros inteiros longe da luz do dia, iluminado apenas pelas promoções e tentações do consumismo sem limites.

A margem do rio é repleta de bares.

Singapura é uma ilha, uma cidade e também um país. Seu nome significa a “cidade do leão”, mas sua fama internacional cresceu como um dos tigres asiáticos. Anos de vigoroso crescimento econômico a tornaram um dos lugares com o maior padrão de vida do mundo. A grana historicamente girou em torno do porto e do rio, mas cada vez mais são as indústrias de alta tecnologia e o turismo que pavimentam seu futuro.

O simbolo da cidade.

A população é basicamente formada por chineses, malaios e indianos (além, é claro, dos estrangeiros vivendo a trabalho). Tem uma Chinatown e templos budistas. Tem uma “Little India” e templos hinduístas. Tem as belas heranças dos templos de colônia britânica. E, principalmente, encanta pela mistura de etnias e credos. Soa familiar? Descrevendo assim, parece idêntica à Kuala Lumpur, nosso destino anterior. Porém, se alguém tiver que escolher entre as duas, Singapura é mais vibrante, mais desenvolvida e mais supreendente!

Detalhe do templo hinduísta.
Neste templo budista está guardado um suposto dente do Buda.
Na feirinha de Chinatown.
As belas construções coloniais britânicas também estão presentes na cidade.

Um dos lugares que merece destaque é a região de Marina Bay. Um pedaço de chão tomado do mar com o desenvolvimento de sucessivos aterros. O visual é lindo e as construções são incríveis. Espalham-se museus, teatros e prédios de arquitetura futurista de bom gosto. Cafés, restaurantes e hotéis dão vida ao calçadão e – como era de se esperar – alguns shoppings! Pra coroar um dos dias praticamente perfeitos que tivemos por lá, assistimos um espetáculo da Broadway chamado Wicked. Afinal, mochileiro também gosta de um bom show…

Com o Marina Bays Sands ao fundo.

Marina Bay

A lista de atrações é quase interminável, mas se de alguma forma terminar, ainda vale ficar um pouco mais e procurar pelos programas que quem mora por lá gosta de fazer. É uma delícia andar pelos parques no final do dia vendo as pessoas correndo ou fazendo tai chi. E o Museu das Civilizações Asiáticas é um dos mais bem montados e interessantes em que estivemos nessa viagem. Não há espaço para o tédio em Singapura, um lugar em que há uma multa pra praticamente qualquer desvio de comportamento, menos para surtos de euforia e vontade de se divertir!

Imagem exposta no Museu das Civilizações Asiáticas.
Esse também estava no museu. O patinho que venceu a primeira corrida de patos de borracha no Rio Singapura.

Nossa jornada não pode parar. Cruzamos a linha do Equador pela quarta vez e desembarcamos na Indonésia, mais especificamente na ilha de Bali. Logo mais traremos as notícias das praias por essas bandas e outras novidades desse que é um dos maiores paraísos do surf.

uma parada em kuala lumpur

Singapura, 13 de janeiro de 2012

Depois de muita praia, estamos de volta às grandes metrópoles. Trocamos a areia pelas calçadas, o mar pelos arranha-céus e a água de coco natural pelo suco em caixinha. Saudades do paraíso tropical? Nada! A Indonésia está nos esperando logo ali e esses dias trouxeram de volta a diversidade e riqueza cultural que o super turístico litoral da Tailândia havia levado. Hora de falar da vida na cidade grande!

Ficamos muito pouco tempo na Malásia. Na verdade, passamos apenas por Kuala Lumpur. Mas, isso não quer dizer que havia pouco pra fazer no País, pelo contrário! Distribuída entre a península ao sul da Tailândia e o norte da ilha de Bornéu, é um destino multifacetado e cheio de surpresas. Apresenta um incrível mix de culturas, tem praias, florestas, cidades modernas, vilas de pescadores, tribos remotas etc. O slogan da campanha de turismo diz que “a Malásia tem tudo” e é preciso concordar com isso. Tanto pra ver que nos faltaria tempo. Uma verdadeira visita ficou pra outro momento e por hora nós conferimos o que a capital tem a oferecer.

Kuala Lumpur é relativamente jovem (foi fundada em 1857), mas testemunhou os acontecimentos que marcaram a formação da Malásia. Ganhou importância ainda no tempo em que a região era colônia britânica e tornou-se capital com a independência em 1957. Como em todo o País, a população forma um rico coquetel de diferentes etnias. O grupo mais numeroso são os malaios. Em seguida vêm os chineses, donos do poder econômico. E ainda existe uma forte presença indiana. Em outras regiões, acrescentam-se pitadas de portugueses e tribos diversas. O islamismo é a religião oficial, mas a tolerância religiosa é garantida por lei. Comparado ao que vimos nos países árabes, é mais liberal e relaxada. Embora homossexualidade, por exemplo, mais do que um tabu seja um crime que prevê vários anos de cadeia…

Ao contrário do que vimos nos outros países mulçumanos, as mulheres por aqui nem sempre andam completamente cobertas.
Noiva é noiva em qualquer lugar do mundo!
Os indianos também estão por toda cidade.

KL é moderna e próspera (em toda a península existe uma obsessão por siglas e Kuala Lumpur vira KL). O sistema de transporte é exemplar pra um país em desenvolvimento, é limpa e com lindas avenidas arborizadas. Entre suas atrações está o maior símbolo de seu ambicioso crescimento e vigor econômico: as Petronas Towers, que até 2007 eram os prédios mais altos do mundo.

As Petronas TwinsTowers e seus 88 andares.

Com tantos chineses na área é claro que existe uma Chinatown. Por sinal, como existem “chinatowns” pelo mundo! Foi lá que nos hospedamos. O preço de uma cama voltou a subir e nós voltamos para os dormitórios dos albergues. Existem boas opções e definitivamente essa é a melhor localização pra explorar a cidade. No bairro, tem o tradicional comércio chinês de rua, mas não muito mais do que isso. No entorno, os pontos mais visitados de KL: a Mesquita Nacional, o Museu Nacional, o Lake Gardens e o centro histórico. É, nem só de modernidades vive KL. No centro histórico, principalmente na Dataran Merdeka (Praça da Independência) estão alguns imponentes exemplares da arquitetura colonial britânica. Vale à pena conferir!

Em Chinatown.
Lembraça dos tempos de colônia britânica.

A comunidade indiana se faz perceber na culinária e nos templos espalhados pela cidade. Não que isso fosse necessário, pois é fácil reconhecer um indiano pela fisionomia, pelos rostos pintados, roupas e comportamento. É muito interessante ver com tanta nitidez a diversidade e os contrastes entre os malaios mulçumanos, os chineses trabalhando duro e os indianos hinduístas. Esses templos têm a arquitetura típica do sul da Índia e como nós estivemos pelo norte, foi uma surpresa ver como são detalhados e coloridos.

Fachada multicolorida dos templos indianos.
Ritual no templo indiano.

Kuala Lumpur é super agradável, mas a lista de atrações imperdíveis não é extensa. Portanto, um dos melhores programas é andar aleatoriamente e aproveitar as sombras das árvores (ou o ar-condicionado dos shoppings) pra refrescar o corpo. Localizada bem próxima da Linha do Equador, a região é quente e úmida, o que faz dos belos parques alternativas muito bem vindas pra um passeio.

Merecido descanso no parque num dia de muito calor.
Garden Lakes
Monumento à independência.

Após breves três dias, embarcamos pra Singapura. Não faltam opções pra cobrir esse trajeto, seja de ônibus ou de trem. Nós fomos em um razoavelmente confortável trem noturno que nos deixou pela manhã na imigração singapuriana. A cidade-estado chegou a fazer parte da Malásia, mas foi expulsa e tornou-se um país confinado a uma ilha.  Mas, se é pequena no tamanho, Singapura é enorme em suas realizações. No próximo post, contamos como estamos nos esbaldando nesse lugar espetacular!

reveillon na tailândia

Chegando à Kuala Lumpur, Malásia, 06 de dezembro de 2012

Não importa se você vai ao litoral leste ou oeste da Península da Tailândia, ambos os lados prometem mar transparente com praias de areia branca cercada por palmeiras. Atravessamos o País pra curtir outras ilhas, mas o mesmo astral. Lugares incríveis pra mergulhar, festas internacionalmente conhecidas e dias de sossego pra aproveitar o final de ano e o comecinho de 2012.

Koh Tao: o paraíso do mergulho

Para ir de Koh Phi Phi pra Koh Tao, pegamos um barco, um tuc-tuc, um ônibus e uma van até chegar à Surat Thani. Faltava ainda o peculiar último trecho: um grande barco de pesca adaptado pra ser um “sleeping boat”. A travessia é feita durante a madrugada e em lugar de assentos existe uma cama gigante na cabine em que as pessoas se espremem e tentam dormir na posição latão de sardinha. Não é muito confortável, mas te deixa lá pela manhã.

É isso mesmo! As pessoas se esparramam pelo chão do sleeping boat.

Depois dessa viagem, nada como poder passar o dia estirado na areia de uma praia deslumbrante. Koh Tao não decepciona e tem esse tipo de cenário à disposição. Em cada canto da Tailândia não faltam lugares de sonhos pra se esticar!

É bom dizer que é uma ilha bem pequena, então as opções de praia são limitadas. A grande atração de Koh Tao é o próprio mar e não as tradicionais faixas de areia que ilustram os cartões postais (embora elas estejam lá). A ilha está entre os mais badalados destinos pra mergulho do mundo. E, melhor ainda, o preço é ótimo comparado com a maioria dos lugares. Nos divertimos visitando os corais e testemunhando a diversidade da vida marinha, mas a visibilidade debaixo d’água não estava nos extraordinários níveis que fazem a fama de lá. A melhor época pra ir é maio pra quem puder escolher.

Papai noel mergulhador? Ele levou pra gente muitos corais e peixes de presente.

O dia 25 de dezembro foi de feriado nos centros de mergulho. Sem nossa “atividade do dia”, a solução seria seguir direto pra praia, não fosse pelo tempo fechado. Aliás, pegamos um bom número de dias de chuva nas últimas semanas. Não dava pra querer ter sorte o tempo todo. Mas, momentos chuvosos também têm sua beleza e uma desculpa pra não fazer nada às vezes cai muito bem.

Mesmo debaixo de chuva o visual é lindo.

Koh Phangan: muito mais que a “Lua Cheia”

Menos de uma hora de barco nos levou de Koh Tao pra Koh Phangan – a próxima ilha em nosso cardápio. Apesar do conjunto de praias maravilhosas, mais uma vez boa parte da reputação do lugar se deve a outro motivo. O que atrai muita gente (mas, muita gente mesmo espalhada pelo mundo inteiro) é a Full Moon Party. Uma festa mensal que celebra a lua cheia e a vontade das pessoas de comemorar qualquer coisa ensandecidamente. Se o seu negócio não é festa, tudo bem, a ilha é grande e existem muitas opções pra quem quer paz e sossego.

Nossa escolha foi ficar distante o bastante dos festejos pra ter dias e noites tranquilos, mas não longe demais para que a gente pudesse ir lá conferir. Porque se só existe uma verdadeira “lua cheia” por mês, é claro que os mais variados motivos são criados pra que se tenha festa até de manhã todos os dias. Na hora de escolher a pousada, tiramos a barriga da miséria e nos instalamos por 10 dias em um bangalô a poucos passos da areia e com uma vista espetacular pro mar.

A vista da nossa varanda. Demais, não?!!
Mais uma da nossa varanda.

Na nossa parte da ilha, várias praias estavam a uma caminhada de distância (às vezes uma caminhada longa, diga-se de passagem). Para as mais distantes, podíamos alugar uma moto ou ir de tuc-tuc, tudo fácil de ser resolvido. Koh Phangan ainda tem cachoeiras, lagoas e outras atrações. Mas, quem vai à Tailândia quer praia, não é verdade!?

A noite de ano novo não era de lua cheia, mas teve Full Moon – Counting Down Party. Afinal, ninguém se importava mesmo com a fase da lua naquele momento. A festa é insana. A areia ocupada por pessoas nos mais diversos estágios alcoólicos. Alguns caíram antes da meia noite e dormiram na areia (fenômeno conhecido como “queimar a largada”). Um ou outro festejava peladão, muita gente brincava com fogo e certamente alguns acabaram fazendo xixi na cama… Sobrevivemos sem um arranhão e iniciamos 2012 com o pé direito!

As festas são regadas a baldinhos. A gente também entrou nessa!
E a moçada dançava em cima das mesas. Essa já foi demais pra gente.
E aí, vai encarar??? Os que encararam não se sairam lá muito bem...
O painel de fogo foi aceso perto de meia noite.

Daqui a pouco, pousaremos na Malásia. Nosso plano de descer de trem ou ônibus foi boicotado por estradas e ferrovias fechadas pelas chuvas. Fomos de barco pra Koh Samui – a maior e mais turística ilha nesses lados e também onde está o aeroporto. A Tailândia e seus cenários estonteantes ficaram pra trás. Que venham as próximas aventuras!

feliz ano novo!

Koh Phangan, 30 de dezembro de 2011

2012 está chegando! Como nos outros anos, vem carregado de oportunidades e sonhos. E que assim seja. Vamos renovar as esperanças e prosseguir na caminhada. Um ano novinho em folha é como um papel em branco. Poder começar a contar a história do zero. Que seja bem-vindo!

É de praxe que nessa época do ano a gente fique cheio de desejos. Desejamos o melhor pra nós e pras pessoas à nossa volta. Desejamos, por exemplo, que todos encontremos o sucesso, seja lá o que sucesso significar pra cada um. Seja a felicidade, as pequenas ou as grandes conquistas. Que todos tenhamos saúde pra dar e vender (e também dinheiro pra comprar, se preciso for).

Desejamos que todos nós encontremos os próprios caminhos que nos farão voar por cima das nuvens…

…e que cada um consiga ter a paciência e a perseverança pra trilhar esses caminhos até o fim.

Que a gente possa ter a determinação de manter o passo e consiga resistir à melancolia se ela vier.

E supere as tristezas e decepções que são inevitáveis (mas, que não sejam muitas nem muito grandes!)

Que a gente encontre forças pra encarar as dificuldades. Pra brigar pelo o que é nosso.

Que se faça ouvir quando for a hora

Também saiba proteger onde nos dói.

E, que não tenhamos medo das dificuldades. Isso é que dá graça à vida. Atiça o que há de melhor em nós. Precisamos dessa provocação. Desejamos a nós mesmos e a todos os amigos que os problemas cotidianos não nos engulam em 2012 e que a gente continue a olhar um pouco mais além.

Que no novo ano a gente tenha ousadia! Que tudo seja possível, mas que nada venha de graça. Que o ano seja longo, rico, cheio de novas experiências, riscos e emoções.

Que a gente possa saltar rumo ao desconhecido

Ou em direção ao ridículo

Sem medo de passar por idiota

E façamos tudo isso de novo e de novo. Desejamos que em 2012 a gente consiga acreditar de uma vez por todas que não há barreira que não possa ser superada.

Se nessa lista já tiverem desejos demais pra um ano só, então que apenas celebremos a vida, as coisas simples e boas que estão por aí. Parando pra pensar, o melhor do mundo é o que está na nossa frente, aqui e agora.

Uma gargalhada.

Um novo amigo

Um momento

Um instante

Oxalá em 2012 estaremos atentos a esses acontecimentos e iremos aproveitá-los ao máximo! Que a gente viva o ano com leveza, alegria e otimismo. Que possamos compartilhar o que vier com quem a gente gosta.

Que não coloquemos nossas ambições apenas em ter coisas e possamos estar felizes com o que já temos.

Que possamos aprender em cada nova oportunidade

E também ensinar ou doar alguma coisa de vez em quando!

E, acima de tudo, que a gente possa se divertir na maior parte do tempo!!!

Em poucas palavras: desejamos que 2012 seja um ano bom! E se alguma coisa não der certo, que seja um ano bom apesar disso. Que ao final a gente possa olhar pra trás e pensar que valeu à pena. E uma vez mais renovar as esperanças e prosseguir a caminhada.

Feliz ano novo!

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